Venho reclamando muito ultimamente da quantidade de coisas que tenho que fazer. Das obrigações, da pressão. Durante a semana o sono é meu melhor companheiro, não desgruda nem por um segundo. Os livros, os textos, os trabalhos parecem intermináveis. E apesar de todas as reclamações, está sendo maravilhoso. É como se agora eu pudesse entender o que realmente era o meu desejo. O que eu queria ser quando crescer.
Pode parecer besteira, mas a maioria das pessoas sabe o quanto é difícil escolher uma profissão pra vida toda. É uma escolha muito dura, chega a dar medo na gente. No primeiro vestibular tinha dezessete anos e decidi fazer psicologia. O motivo pelo qual tomei essa decisão foi a minha vontade de ajudar os outros e, principalmente as crianças. Achava que através da psicologia eu fosse capaz de diminuir o sofrimento das pessoas. Só não percebi que estava deixando um pouco de lado o que gostava de fazer: ler e escrever. E assim foi. No segundo semestre de 2009 começaram as aulas. E eu era a mais nova estudante de psicologia da UFRJ, e como me orgulhava desse status. Os meses foram se passando e cada vez mais eu percebia que tinha algo fora do lugar. Pouco ou quase nada me encantava no curso. Às vezes me sentia um peixe fora da água. Primeiro estágio: um ou dois meses e desisti. Segundo estágio: um ou dois meses e desisti. Faltava algo. Eu não me via produzindo. A minha necessidade de produzir, de ver as coisas acontecer é urgente. Não sou do tipo calma, paciente, daquelas que escuta. Sou do tipo que fala, que quer mudar o que acha errado, e rápido se possível. A psicologia não me ofereceu isso. Eu não sou do tipo psicóloga.
Demorei dois anos para perceber que o que me faltava na psicologia, poderia encontrar na comunicação. E assim decidi trancar o curso para fazer vestibular de novo. Foram três meses de curso pré-vestibular. Pode parecer pouco tempo, mas para uma geminiana um dia já é suficiente para mudar de idéia sobre qualquer assunto. Mas não. Agora com vinte anos eu tinha plena certeza do que queria fazer. Quero escrever para que os outros possam saber de coisas que eles nunca imaginariam, quero descobrir o que eu nunca imaginei saber, quero contar histórias, quero denunciar o que estiver errado, quero ir atrás da mudança. Portanto, quando me pego reclamando da intensidade do curso de jornalismo, paro, penso e sigo em frente. Foi isso que escolhi, é essa a dinâmica que quero e preciso daqui pra frente.
Aprendi com essa experiência que nunca é tarde para buscar o que se quer. Errado seria ver o tempo passar e com ele o meu sonho. Se precisar mudar, mude. Pode ser que mude dez vezes. Mas isso não é problema. Problema é ficar na ilusão, ficar no sonho. Arriscar a mudança sempre vale a pena.
