Mesa de bar, cabeças abaixadas, olhos fixos na tela
do celular. Alguém tenta inserir algum assunto e nada de olhos ou ouvidos
reagirem. Além da visão, a audição é outro sentido que ficou prejudicado por
conta das modernidades tecnológicas. Porque se tornou tão difícil escutar o
outro? Ouvir e ser ouvido. Falar com a certeza que haverá uma resposta de
alguém que lhe presta atenção. Ouvir sem esperar nada em troca. Ter paciência
para o relato do outro. Não é ficar calado durante horas de monólogos intermináveis
e entediantes, mas de conversa. Desabafo, que seja.
É como se houvesse uma ânsia em derramar tudo
aquilo que está guardado. Jogar palavras e frases para aqueles ou aquele que
está ao lado. Mas quando chega a hora do outro falar sobre simplicidades do seu
cotidiano, por exemplo, o foco muda e não existe mais espaço. Vira uma
atividade solitária. Falar, se expor e perceber que não há escuta ou interesse.
Como na música, são apenas palavras ao vento. Aos olhos do outro, descuidado,
pode parecer besteira, que aquilo que está sendo contado não é nada demais. Na
maioria das vezes é coisa demais, é importante demais. Experimente esquecer o
celular, as mensagens, as atualizações. Quem importa, no momento, é quem está
ali, não-virtual, que tem boca, ouvido e voz.
Cada um com seus problemas, com a importância de
suas dúvidas, com a carga de seus sentimentos? Não deveria ser assim. É preciso
compartilhar. Que haja mais respeito, amizade, atenção. Apure seus ouvidos para
os seus amigos, parentes ou simplesmente conhecidos. Às vezes, três minutos de
atenção exclusiva, sem desviar o olhar, ou um simples consentir com a cabeça ao
final, podem aliviar muitas angústias. Escutar com cuidado. Ouvir sem censura.
Procurar entender que naquele momento é melhor parar de falar, não interromper
e saber a hora de se calar.
Falemos e escutemos uns aos outros, na mesma
proporção.