terça-feira, 31 de julho de 2012

Vai ser livre, passarinho.


Vai ser livre.
Fuja dessa gaiola.
Liberte-se.
Esqueça que um dia algo te prendeu.

Largue a angústia e o medo.
Respire e não se lembre da dor.

Infla o peito
de amor.

A dor não precisa existir.
Foi você quem inventou.
Desconstrua.

Deixe a energia fluir.
Solte asas, pernas e penas.
Solte tudo. Grite. Voa!

Livrai os pensamentos.
Livrai a cabeça.
Liberta a alma.

Aproveita a pouca idade e vai sonhar.
Vai buscar o que te importa.
Vai. Vai realizar.

Aceite o chamado da vida.
Sai do aprisionamento.
Escapa pelas grades. E voa...


Apodere-se da força que já tem.
Liberta-te a ti mesmo e
vai ser livre.

Se joga de peito no que aparecer.
Acolhe o que vier.

Agarra a vida, passarinho.

Agora, só agora, não pensa.
Segue o vento.

Segue para frente.

Vai sem caminho.

Escolhe o caminho.
Erra, tropeça, levanta, levanta voo.

Vai ser livre.
 

domingo, 29 de julho de 2012

Menos palavras ao vento


Mesa de bar, cabeças abaixadas, olhos fixos na tela do celular. Alguém tenta inserir algum assunto e nada de olhos ou ouvidos reagirem. Além da visão, a audição é outro sentido que ficou prejudicado por conta das modernidades tecnológicas. Porque se tornou tão difícil escutar o outro? Ouvir e ser ouvido. Falar com a certeza que haverá uma resposta de alguém que lhe presta atenção. Ouvir sem esperar nada em troca. Ter paciência para o relato do outro. Não é ficar calado durante horas de monólogos intermináveis e entediantes, mas de conversa. Desabafo, que seja.
É como se houvesse uma ânsia em derramar tudo aquilo que está guardado. Jogar palavras e frases para aqueles ou aquele que está ao lado. Mas quando chega a hora do outro falar sobre simplicidades do seu cotidiano, por exemplo, o foco muda e não existe mais espaço. Vira uma atividade solitária. Falar, se expor e perceber que não há escuta ou interesse. Como na música, são apenas palavras ao vento. Aos olhos do outro, descuidado, pode parecer besteira, que aquilo que está sendo contado não é nada demais. Na maioria das vezes é coisa demais, é importante demais. Experimente esquecer o celular, as mensagens, as atualizações. Quem importa, no momento, é quem está ali, não-virtual, que tem boca, ouvido e voz.
Cada um com seus problemas, com a importância de suas dúvidas, com a carga de seus sentimentos? Não deveria ser assim. É preciso compartilhar. Que haja mais respeito, amizade, atenção. Apure seus ouvidos para os seus amigos, parentes ou simplesmente conhecidos. Às vezes, três minutos de atenção exclusiva, sem desviar o olhar, ou um simples consentir com a cabeça ao final, podem aliviar muitas angústias. Escutar com cuidado. Ouvir sem censura. Procurar entender que naquele momento é melhor parar de falar, não interromper e saber a hora de se calar.
Falemos e escutemos uns aos outros, na mesma proporção.