Pare e pense um pouco mais.
Andar na rua sem rumo. Ir sozinho ao cinema no comecinho da tarde. Sentar na areia e olhar o mar. Acender um cigarro e conversar com a lua. Preparar o café e bebê-lo ainda quente. Sentar na poltrona e sentir o vento. Pegar sol. É preciso ficar sozinho de vez em quando. Deixar as emoções aparecerem até que desabrochem. Quando se está em movimento não se consegue perceber o que acontece ou aconteceu lá dentro. Vivemos em um estado constante de transformação. Todo e qualquer acontecimento externo tem repercussão direta no que somos. Em tempos de dinamismo, parar para se observar é raro. Eu, pessoalmente, sinto falta e acredito na importância desse momento. Podemos continuar levantando e deitando todos os dias sem, ao menos, lembrar do que foi feito no dia anterior. É claro que podemos. Até chegar o momento em que semanas e meses se passaram, e não foi possível compreender, digerir ou refletir sobre nada.
Os dias são curtos, eu sei. Para alguns eles deveriam ter, no mínimo, trinta e seis horas. Basta valorizar alguns minutos, ou aqueles dias em que, finalmente, pensamos: “não tenho nada para fazer”. Aproveite para se escutar. O corpo e a mente falam mais do que imaginamos. Eles nos dizem, através de alguns sinais, o que devemos ouvir. Faça uso do nada. A sensação é de estranhamento quando não há nenhuma responsabilidade ou prazo para cumprir. Quando não há nada realmente que fazer, parece que o tempo para, ou que corre mais ainda. Estamos sempre funcionando, somos feitos de pensamentos e emoções. Então, quando o nada chegar, use. Faça o que te der vontade, o que te possibilite parar e entrar em contato com você. Quando estamos com o outro, com o grupo, nos comportamos de maneira diferente. Não digo falsa, mas diferente e, quem sabe, superficial. Acredito que no momento do nada, da solitude, podemos, enfim, conhecer quem somos e o que queremos.