quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pare e pense um pouco mais.
Andar na rua sem rumo. Ir sozinho ao cinema no comecinho da tarde. Sentar na areia e olhar o mar. Acender um cigarro e conversar com a lua. Preparar o café e bebê-lo ainda quente. Sentar na poltrona e sentir o vento. Pegar sol.  É preciso ficar sozinho de vez em quando. Deixar as emoções aparecerem até que desabrochem. Quando se está em movimento não se consegue perceber o que acontece ou aconteceu lá dentro. Vivemos em um estado constante de transformação. Todo e qualquer acontecimento externo tem repercussão direta no que somos. Em tempos de dinamismo, parar para se observar é raro. Eu, pessoalmente, sinto falta e acredito na importância desse momento. Podemos continuar levantando e deitando todos os dias sem, ao menos, lembrar do que foi feito no dia anterior. É claro que podemos. Até chegar o momento em que semanas e meses se passaram, e não foi possível compreender, digerir ou refletir sobre nada.
Os dias são curtos, eu sei. Para alguns eles deveriam ter, no mínimo, trinta e seis horas. Basta valorizar alguns minutos, ou aqueles dias em que, finalmente, pensamos: “não tenho nada para fazer”. Aproveite para se escutar. O corpo e a mente falam mais do que imaginamos. Eles nos dizem, através de alguns sinais, o que devemos ouvir. Faça uso do nada. A sensação é de estranhamento quando não há nenhuma responsabilidade ou prazo para cumprir. Quando não há nada realmente que fazer, parece que o tempo para, ou que corre mais ainda. Estamos sempre funcionando, somos feitos de pensamentos e emoções. Então, quando o nada chegar, use. Faça o que te der vontade, o que te possibilite parar e entrar em contato com você. Quando estamos com o outro, com o grupo, nos comportamos de maneira diferente. Não digo falsa, mas diferente e, quem sabe, superficial. Acredito que no momento do nada, da solitude, podemos, enfim, conhecer quem somos e o que queremos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tenho buscado inspiração para escrever ultimamente. Olhando textos escritos recentemente encontrei esse daqui. Acabei desistindo da inspiração. Nada será mais inspirador que essa viagem à África. Por enquanto, eu espero. Ainda tem muito mais por vir.

"Quando decidi viajar para África, minha frase era a seguinte: sei que não serei a mesma quando voltar. Demorou quase um mês para perceber a mudança. Senti, apreendi e guardei cada momento dentro de mim. Cada gesto, palavra, cheiro, sensação está guardada dentro de mim, o que fez com que eu me tornasse outra pessoa, talvez. É difícil voltar pra realidade. Para o lugar da onde eu quis fugir quando fui para lá.
Apesar de prever, eu não podia imaginar o que iria encontrar e, agora, olhando as fotos não posso medir o quanto foi intenso. O quanto fui feliz. O quanto fiz os outros felizes. Cada um tem seu valor nesse mundo, e lá eu pude perceber o meu, e mais do que isso, pude sentir que tenho valor para os outros. Eles demonstravam em cada palavra, cada carinho, cada sorriso. Porque lá eu pude ver que há um objetivo em tudo isso, há um por que.
Sinto falta de acordar e ter alguém na minha frente para me dar bom dia ou de simplesmente ouvir o despertador de alguém que tem que acordar pra fazer a mesma coisa que eu, junto comigo. Sinto falta de acordar lembrando que a noite passada foi ótima, que fiz o que queria fazer com quem queria. Sinto falta de acordar e ter porque acordar. Sinto falta de nunca estar sozinha. De despertar gargalhadas com uma simples cosquinha, de receber mil abraços a cada minuto. Sinto falta de comprar uma garrafa de vinho e ter mais três pra dividir com quatro pessoas. De o vinho acabar e a cerveja ser a melhor bebida do mundo. Do sofá que parecia tão pequeno para os quinze, mas que no final da viagem parecia imenso no vazio. Sinto falta de conversar, escutar e ficar em silêncio. Sempre com alguém, nunca sozinha. Sinto falta de preparar meu almoço com mais cinco ou seis pessoas na cozinha, de esquentar minha quentinha no micro ondas que demorava dez minutos para deixar a comida ao menos morna. Da fila para esquentar a comida. De brigar por espaço no sofá da salinha do hospital e depois olhar para o chão e lá ser o lugar mais confortável do mundo. Não há uma única coisa que eu não morra de saudade.
É impossível, foge ao meu controle não querer voltar pra lá a cada instante para reviver tudo, tudo. Sem mudar uma única vírgula. Tudo foi perfeito, como tinha que ser.
Não caberia em uma ou duas páginas o que nós vivemos lá. Acredito que tenha sido muito intenso e verdadeiro para cada um de nós, voluntários. Uma experiência como essa transcende as palavras. É muito sentimento, muita verdade, muito amor... "

domingo, 3 de junho de 2012

Afastar para juntar

Pra que tanta confusão? Por que tanta briga e desilusão? Seria mais fácil se houvesse paz e calma no nosso convívio. Não é preciso tanto peso e raiva em tudo que se faz. Tente relevar, pensar duas vezes antes de iniciar uma discussão. É um exercício constante, mas se feito com perseverança pode salvar muita coisa. Nada construído em cima de dor vai à diante. Lembre-se disso antes de julgar e esbravejar. Amor só funciona com amor. Carinho e afeto são capacidades daqueles que podem dar e receber isso. Raiva, desentendimento pode consumir suas horas e dias. O tempo é precioso para àqueles que têm pressa. Não há nenhum segundo a perder com aquilo que não te faz bem. Respire fundo e tente, se esforce, para ignorar o que o outro te traz de ruim. Não se pode controlar e reger as atitudes do outro, mas a nossa é mais do que possível, é necessário. Quando você vem me diminuir, despejar aquilo que faz mal tento, a partir de agora, deixar de lado, bem longe do lado de dentro. Já aceitei muito, calei me, guardei em algum lugar do silêncio. Agora, tenho ouvido, voz e coração. Não posso mais querer o que quer me oferecer. Guarde para você. Sigamos separados, então. Cada qual com o que te faz sorrir, se sentir leve e a vontade. O tempo mostrou que não é um remédio tão eficaz. Ainda há marcas muito fortes que não precisam ser exaltadas. Deixe-as desaparecerem sozinhas. Deixemos a pressão, o medo e a dor para lá. Não precisamos nos dar mais isso. A fluidez das relações se da no instante de um sorriso, no momento do toque, do abraço sincero. Quando a memória é marcada pelo que saiu de errado, pelo que você ou eu não fizemos, é sinal de exaustão. O alarme grita, avisando que é suficiente, o limite chegou e não há como passar, não tem mais caminho pela frente. Persistir só demonstra o que não se quer enxergar. Não há tempo para chorar quando se pode sorrir e gargalhar. Sigamos em frente, prezando pelo bem. Constantemente, sem interrupção. O momento é agora. Planejar, sonhar, inventar o que se quer viver é frustrante. O passado não nos puxa ao presente, que tem de ser intenso e verdadeiro, para que o mesmo aconteça da maneira que vier.