segunda-feira, 30 de abril de 2012

Semana passada meus avós fizeram sessenta anos de casados. É, isso mesmo. Sessenta anos juntos, além daqueles de namoro e noivado. Tiveram três filhos, minha mãe, meu padrinho e meu tio. Todos casaram, tiveram filhos e foram viver em algum lugar, do seu jeito. Apesar de irmãos, tornaram-se pessoas bem diferentes daquelas três crianças que viveram juntos em Niterói, Angra dos Reis, Salvador, Estados Unidos e Brasília.
Por conta da idade, talvez, eu e os filhos do meu padrinho crescemos juntos. Inseparáveis. Mesmo que separados pela ponte Rio - Niterói, nós compartilhamos muitos momentos de alegria. Prainha, Piraquê, Friburgo, casa da vovó, e por aí vai... Assim como aconteceu com minha mãe e meus tios, nós crescemos e construímos nossas vidas. Tornamos-nos pessoas diferentes daquelas três pestes. Cada um seguiu seu caminho, do seu jeito.
Apesar das transformações que a vida nos impôs, os almoços e lanches continuam sagrados na casa da minha avó. A varanda é a mesma, as bolinhas de queijo, a torta de limão. A oração no natal é feita da mesma forma que era há quinze anos. Todos juntos, de mãos dadas e olhos fechados. A confusão para a entrega dos presentes também nunca mudou. “Primeiro o filho mais velho! Não, são os donos da casa!” E assim, a entrega flui, até que todos fiquem devidamente presenteados e o almoço possa ser servido. Almoço não. O banquete de sempre, com comida para alimentar três vezes a nossa família, que acaba sempre aglomerada na cozinha preparando suas quentinhas.
Meus avós brigaram, com certeza, não se suportaram em algum momento. Mas quando os vi, entrando no salão de mãos dadas, dançando, cortando o bolo, percebi que os anos não foram capazes de apagar aquele casal de 1952. Eles continuam se amando. Um amor mais maduro, sem dúvida. Mas um amor que une, que apóia, que consola. E é por causa desse sentimento que hoje, meus tios, minha mãe, meus primos, eu e meu irmão estamos aqui. Todos cresceram, tomaram caminhos diferentes, mas carregando o que eles nos ensinaram.
Durante o ano quase não nos vemos mas, quando chega o natal a família se constitui novamente, graças a eles. Além de admirá-los pela força, pelo amor, sou muito grata aos meus avós. Eles nos ensinaram o sentido de família, de união e compaixão.
E que venham os setenta anos!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Há sentimentos que não controlamos, não sabemos explicar como são e nem mesmo porque eles surgem. Isso pode angustiar muito. Nós, seres humanos, temos a mania de querer racionalizar tudo e, se não conseguimos, logo surtamos. Esse tipo de sentimento não tem explicação racional. Ele simplesmente acontece, e só vai embora quando quer.
É como se ele se apropriasse do nosso corpo, mudasse nosso estado físico e emocional sem pedir permissão. Mesmo que você queira se despedir desse intruso, é impossível. Por isso, ultimamente, prefiro aceitá-lo. Deixar que tome conta de mim, das minhas horas, dos meus pensamentos. Tento tirar algum proveito dele. E é por isso que escrevo.
Quando a cabeça começa a pesar, os pensamentos tiram o sono, escrevo. Assim como agora. Para tentar aliviar alguma tensão ou entender o que parece incompreensível. Quase sempre é em vão. As coisas continuam incompreensíveis, mas alguma parte da confusão saiu de mim. Abriu espaço para novas bagunças mentais.
Acredito que seja sempre assim. Muitas vezes não entendemos o que sentimos, mas de alguma forma conseguimos aliviar a tensão, para depois não entender nada de novo.  E que monotonia seria se entendêssemos tudo! O gostoso da vida são essas oscilações de sentimento. Busquemos sempre pela compreensão, mesmo que nunca a encontremos. No meio do caminho algo novo pode surgir...

terça-feira, 10 de abril de 2012

“Queridas enfermeiras e crianças,
Não quero que pensem que me esqueci de vocês. Na verdade, penso em vocês quase todo dia. Queria agradecer por cada momento, cada coisa que me ensinaram. Aprendi que a vida deve ser vivida com um sorriso no rosto mesmo com todas as dificuldades que aparecerem no caminho. Aprendi a dar valor as mínimas coisas da vida. Um chocolate pode ser a melhor coisa do dia, da semana. Pintar as unhas de rosa – meninas e meninos – é um luxo que será pode ser comemorado pelo mês todo.
Queria dizer que vocês não devem desistir nunca. Enfermeiras, vocês apesar de parecerem mal humoradas de vez em quando, fazem um trabalho incrível. Cuidam das crianças como se fossem suas. Entendo perfeitamente quando no inicio nos tratavam com uma certa desconfiança. Nós voltamos para nossas casas enquanto vocês continuam aí na batalha. Dando remédio na hora certa, dando bronca, alimentando, se despedindo. Admiro cada uma  de vocês. Por dedicar uma vida a crianças que não tem a mínima perspectiva de futuro.
Já vocês meus amores... Não tenho nem palavras para descrever o amor que criei por vocês em apenas três semanas. Lembro de cada um, cada rostinho, cada nome. Se pudesse estaria aí, abraçando e beijando vocês a manhã e tarde inteira. À vocês quero pedir também que nunca desistam. Vocês mesmo tão pequenos, sem nem mesmo perceber, me ensinaram muito sobre o sentido de viver. Continuem brincando, tomando banho de mangueira, pulando, berrando e chorando. Porque cada dia, cada minuto é único e deve ser vivido. Amo cada um como se fosse meu. Daqui do Brasil estarei torcendo pela felicidade de cada um. E sempre, sempre, pensando em vocês, morrendo de saudades.
Se tem alguém a quem devo agradecer são vocês enfermeiras, funcionários do hospital e as minhas lindas crianças. A minha viagem valeu a pena porque vocês fizeram parte dela. Nunca vou esquecer seus nomes, suas histórias, nossas histórias, abraços e carinhos.
Obrigada, obrigada, mil vezes obrigada!”