"Quando decidi viajar para África, minha frase era a seguinte: sei que não serei a mesma quando voltar. Demorou quase um mês para perceber a mudança. Senti, apreendi e guardei cada momento dentro de mim. Cada gesto, palavra, cheiro, sensação está guardada dentro de mim, o que fez com que eu me tornasse outra pessoa, talvez. É difícil voltar pra realidade. Para o lugar da onde eu quis fugir quando fui para lá.
Apesar de prever, eu não podia imaginar o que iria encontrar e, agora, olhando as fotos não posso medir o quanto foi intenso. O quanto fui feliz. O quanto fiz os outros felizes. Cada um tem seu valor nesse mundo, e lá eu pude perceber o meu, e mais do que isso, pude sentir que tenho valor para os outros. Eles demonstravam em cada palavra, cada carinho, cada sorriso. Porque lá eu pude ver que há um objetivo em tudo isso, há um por que.
Sinto falta de acordar e ter alguém na minha frente para me dar bom dia ou de simplesmente ouvir o despertador de alguém que tem que acordar pra fazer a mesma coisa que eu, junto comigo. Sinto falta de acordar lembrando que a noite passada foi ótima, que fiz o que queria fazer com quem queria. Sinto falta de acordar e ter porque acordar. Sinto falta de nunca estar sozinha. De despertar gargalhadas com uma simples cosquinha, de receber mil abraços a cada minuto. Sinto falta de comprar uma garrafa de vinho e ter mais três pra dividir com quatro pessoas. De o vinho acabar e a cerveja ser a melhor bebida do mundo. Do sofá que parecia tão pequeno para os quinze, mas que no final da viagem parecia imenso no vazio. Sinto falta de conversar, escutar e ficar em silêncio. Sempre com alguém, nunca sozinha. Sinto falta de preparar meu almoço com mais cinco ou seis pessoas na cozinha, de esquentar minha quentinha no micro ondas que demorava dez minutos para deixar a comida ao menos morna. Da fila para esquentar a comida. De brigar por espaço no sofá da salinha do hospital e depois olhar para o chão e lá ser o lugar mais confortável do mundo. Não há uma única coisa que eu não morra de saudade.
É impossível, foge ao meu controle não querer voltar pra lá a cada instante para reviver tudo, tudo. Sem mudar uma única vírgula. Tudo foi perfeito, como tinha que ser.
Não caberia em uma ou duas páginas o que nós vivemos lá. Acredito que tenha sido muito intenso e verdadeiro para cada um de nós, voluntários. Uma experiência como essa transcende as palavras. É muito sentimento, muita verdade, muito amor... "
Nenhum comentário:
Postar um comentário