domingo, 29 de julho de 2012

Menos palavras ao vento


Mesa de bar, cabeças abaixadas, olhos fixos na tela do celular. Alguém tenta inserir algum assunto e nada de olhos ou ouvidos reagirem. Além da visão, a audição é outro sentido que ficou prejudicado por conta das modernidades tecnológicas. Porque se tornou tão difícil escutar o outro? Ouvir e ser ouvido. Falar com a certeza que haverá uma resposta de alguém que lhe presta atenção. Ouvir sem esperar nada em troca. Ter paciência para o relato do outro. Não é ficar calado durante horas de monólogos intermináveis e entediantes, mas de conversa. Desabafo, que seja.
É como se houvesse uma ânsia em derramar tudo aquilo que está guardado. Jogar palavras e frases para aqueles ou aquele que está ao lado. Mas quando chega a hora do outro falar sobre simplicidades do seu cotidiano, por exemplo, o foco muda e não existe mais espaço. Vira uma atividade solitária. Falar, se expor e perceber que não há escuta ou interesse. Como na música, são apenas palavras ao vento. Aos olhos do outro, descuidado, pode parecer besteira, que aquilo que está sendo contado não é nada demais. Na maioria das vezes é coisa demais, é importante demais. Experimente esquecer o celular, as mensagens, as atualizações. Quem importa, no momento, é quem está ali, não-virtual, que tem boca, ouvido e voz.
Cada um com seus problemas, com a importância de suas dúvidas, com a carga de seus sentimentos? Não deveria ser assim. É preciso compartilhar. Que haja mais respeito, amizade, atenção. Apure seus ouvidos para os seus amigos, parentes ou simplesmente conhecidos. Às vezes, três minutos de atenção exclusiva, sem desviar o olhar, ou um simples consentir com a cabeça ao final, podem aliviar muitas angústias. Escutar com cuidado. Ouvir sem censura. Procurar entender que naquele momento é melhor parar de falar, não interromper e saber a hora de se calar.
Falemos e escutemos uns aos outros, na mesma proporção.

Um comentário:

  1. Escutar com cuidado. Ouvir sem censura.

    Você é linda miga, seu dom também! Saudade sempre!

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